Somos todos Paco Yunque (e agora?)

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Quando tinha uns 18 anos, eu ouvi pela primeira uma citação que me deu o que pensar: “Um homem que não seja um socialista aos 20 anos não tem coração. Um homem que ainda seja um socialista aos 40 não tem cabeça.” O trecho é de Georges Clemenceau, mas eu já ouvi diversas vezes pipocando em conversas de bares, principalmente entre pessoas mais velhas. No auge da minha fase extrema-esquerda (que durou apenas dois meses), eu, que me considerava a Anna de la Mesa  no fim do filme, achei um absurdo. Por que deixar de ser socialista? Como é possível alguém deixar de lutar contra as desigualdades desse cruel mundo capitalista?

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Mjiba – as jovens revolucionárias e seus pretextos de mulheres negras

Segundo Grossberg (1992), “os grupos dominantes usam a cultura para organizar a população”. Nesse sentido, pode-se então fazer uma ponte entre quem produz e consome conhecimento e arte no Brasil, principalmente a literatura, acessível na maioria das vezes aos mais escolarizados, o que restringe grande parte da população que permanece analfabeta. Foi pensando nisso que Sérgio Vaz criou o Sarau da Cooperifa, um sarau de poesia na periferia paulistana. O sarau, onde qualquer um é poeta, é uma maneira de levar a arte aos habitantes das comunidades e de despertar o desejo de aprendizado e conhecimento em todos os frequentadores. Durante os anos do Sarau, vários escritores publicaram, no entanto, um grupo ficou na retaguarda: as mulheres negras, tão presentes no Sarau, raramente publicam, e, segundo Lucía Tenina (2015), são na maioria das vezes coadjuvantes, primeiras-damas ou musas. Continuar lendo “Mjiba – as jovens revolucionárias e seus pretextos de mulheres negras”

A ArgenChina de Ariel Magnus e a questão do outro

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O romance argentino Um Chinês de Bicicleta fala muito sobre chineses e raramente sobre bicicleta, menos ainda sobre chineses montados em alguma bike. Contudo, fala sobre um bairro chinês na Argentina e de que maneira ele é visto pelos portenhos. O chinês em questão é Li, ou Fosforinho, alcunha que recebeu por ser acusado de incendiar lojas de móveis em Buenos Aires e, posteriormente, condenado pelos atos. O narrador da história é Ramiro, a testemunha do caso que é sequestrada por Li e levada cativa a um bairro chinês. O sequestrado, então, passa a viver no bairro chinês, fazer amizades e romance, até desenvolver uma inusitada síndrome de Estocolmo. Continuar lendo “A ArgenChina de Ariel Magnus e a questão do outro”