A ArgenChina de Ariel Magnus e a questão do outro

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O romance argentino Um Chinês de Bicicleta fala muito sobre chineses e raramente sobre bicicleta, menos ainda sobre chineses montados em alguma bike. Contudo, fala sobre um bairro chinês na Argentina e de que maneira ele é visto pelos portenhos. O chinês em questão é Li, ou Fosforinho, alcunha que recebeu por ser acusado de incendiar lojas de móveis em Buenos Aires e, posteriormente, condenado pelos atos. O narrador da história é Ramiro, a testemunha do caso que é sequestrada por Li e levada cativa a um bairro chinês. O sequestrado, então, passa a viver no bairro chinês, fazer amizades e romance, até desenvolver uma inusitada síndrome de Estocolmo. Continuar lendo “A ArgenChina de Ariel Magnus e a questão do outro”

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Mãe de George: a escolha de Adenike

 

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Um casamento tradicional nigeriano realizado no Brooklyn é o prelúdio de um conflito que combina ancestralidade, religião, sexo, comidas e cores, numa dança sensual entre oriente e ocidente, tradicional e moderno, o velho e o novo. Adenike (Danai Gurira, a Michonne, de The Walking Dead) é uma imigrante nigeriana que mora no Brooklyn com seu recente marido, Ayodele (Isaach De Bankolé). Já no dia do casamento, fica implícito, com as palavras de bênçãos e os comentários da sogra, que o casal deve gerar o mais rápido possível um filho, cujo nome será George, em homenagem ao avô paterno. A felicidade das núpcias é prejudicada pela demora de Adenike em conceber o primogênito, e a situação piora quando a sogra da mulher, Ma Ayo Balogun (Bukky Ajayi), assume o lugar de matriarca e pressiona a nora para ter um filho, levando Ayodele a tomar uma decisão que pode salvar ou arruinar a sua família. Continuar lendo “Mãe de George: a escolha de Adenike”

Mãos ao Vento – RESENHA

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A princípio, o livro Mãos ao Vento, de Sylvia Lia Grespan Neves, parece um simples romance curto. Entretanto, conta com um elemento surpresa, um tanto incomum nos textos de língua portuguesa: não só a protagonista, Paola, é surda, como a maioria dos personagens o são, e apresentam a nós, leitores, a cultura surda de forma autêntica, pois é contada por alguém que conhece a realidade de um mundo sem sons em uma sociedade ouvintista[1]. Continuar lendo “Mãos ao Vento – RESENHA”

marginal MENTE

“Se a história é nossa, deixa que nóis escreve, iscrevi,
escreve, excreve, escrevi, isvrevi, screv, escréwe…”  INQUÉRITO citado por C. O hip-hop está morto, p. 6-7.

 

Em 2014, Olivia Cole, uma escritora e blogueira – e branca – disse que estava cansada de ver gente branca no cinema. É claro que ela não quis sugerir a supremacia de minorias éticas em todas as manifestações artísticas, até porque isso seria impossível numa sociedade veladamente/descaradamente racista. O que a autora problematizou foi o protagonismo branco no cinema estadunidense, como os diretores e produtores hollywoodianos fazem do branco rico (principalmente homem) o padrão e representante de uma comunidade particular, enquanto o seu coleguinha negro e/ou pobre é só isso mesmo, um coadjuvante ou protagonista estereotipado que provavelmente só aparece numas três ou quatro cenas, pra falar algo engraçado, ser o empregado 1 , 2,  3 , 4, 5, o escravo 1a, 1b, 2, 3, 4, 5, o exótico 1, 2, 3 e cumprir a cota. Acontece que, na vida real, pessoas não brancas são protagonistas de suas próprias vidas e querem, sim, se ver representadas com papéis que não reproduzam conceitos que as reduzam a estereótipos, que apenas servem pra propagar mais preconceito. Continuar lendo “marginal MENTE”